ARTIGO TÉCNICO 91 Os materiais mais comuns para a biqueira são o aço, o alumínio, os compósitos não metálicos. Já os materiais para fabrico das restantes partes do calçado são o cabedal, o couro, o nobuck, a microfibra e as malhas técnicas, entre outros. O requisito clássico é resistência a impacto de 200 J (massa com 20 kg de uma altura de cerca de 1m) para calçado de segurança (safety footwear). A sola por sua vez garante a tração necessária para manter o equilíbrio corporal, abordando efetivamente os dois riscos industriais mais comuns, lesões por esmagamento e acidentes por escorregões e quedas. Para determinar a resistência à compressão de materiais da sola utiliza-se o ensaio de compressão quase estático: σ (Tensão de compressão) = F (força aplicada - N) /A (área da secção da amostra - mm2) Para sola são materiais comuns a borracha nítrílica, o poliuretano termoplástico (TPU) ou simples, a espuma vinílica acetinada (EVA) associada à borracha. Nesta a proteção a absorção ao impacto resulta da geometria da deformação controlada, da distribuição da carga, da absorção pela sola e da estrutura do calçado. Uma sola antiderrapante cria atrito para caminhar com segurança em pisos lisos, polidos ou irregulares mantendo a tração na posição do pé no chão. Para alcançar esse atrito, as solas frequentemente dependem do seu design específico, do material da sola e do tipo de piso. A resistência ao atrito (ou resistência ao deslizamento) da sola em calçado de segurança não é calculada por uma única fórmula teórica simples, mas sim determinada através de ensaios laboratoriais normalizados (normas EN ISO 20345 e EN ISO 13287) O parâmetro medido é o Coeficiente de Atrito(μ), que é a relação entre a força de atrito e a força vertical (peso) aplicada, que é dada pela fórmula: μ (Coeficiente de atrito) = F (força de atrito) / N (força normal) Os sulcos com padrões hexagonais ou circulares, são projetados para deslocar fluidos como água ou óleo, sendo que os sulcos profundos em borracha de alta qualidade permitem que o sapato adira efetivamente a superfícies oleosas ou molhadas, evitando a aquaplanagem. Tem como principais características típicas: • Resistência mecânica à perfuração; • Cobertura plantar (proteger quase toda a planta do pé); • Flexibilidade para conforto e mobilidade; • Resistência à fadiga por flexão: • Compatibilidade com isolamento térmico/elétrico, quando necessário; • Baixo peso (sobretudo em versões não metálicas). Às quais se podem associar outras em função da classe: • Biqueira de proteção (aço, alumínio ou compósito); • Sola antiderrapante (SRC/SR, dependendo da norma aplicável); • Resistência a hidrocarbonetos; • Absorção de energia no calcanhar; • Permeabilidade ou resistência à água; • Propriedades ESD (descarga eletrostática) • Resistência ao calor, corte, abrasão. O material tradicional e mais confiável para a palmilha resistente à perfuração é o aço inoxidável ou aço mola, o que lhe confere elevada resistência à perfuração, a durabilidade, ainda que possam ganhar rigidez, redução de flexibilidade, peso, ser condutoras de calor e frio, e sensibilidade a detetores metálicos, o que pode condicionar ou inviabilizar ao seu uso possa causar menor flexibilidade, Em alternativa podem ser usados têxteis, como tecidos multicamada, compostos híbridos (aramida e fibras de vidro ou resinas), polietileno (alto peso molecular) de alta performance, mais leves, flexíveis, isolantes, confortáveis, porém mais dispendiosos. ERGONOMIA E CONFORTO A ergonomia no calçado de segurança combina proteção com conforto e utiliza estudos de biomecânica para reduzir a fadiga e lesões. São desenvolvidos com materiais e tecnologias para o seu uso durante as PROTEÇÃO CONTRA PERFURAÇÕES A proteção contra perfurações, ou penetrações, visa garantir a segurança em ambientes industriais e de construção, prevenindo lesões por objetos pontiagudos como pregos, parafusos, pontas metálicas, limalhas e pedaços de vidro ou outros objetos pontiagudos. Este calçado funciona por incorporação de uma placa protetora na entressola, ou seja, entre a sola e a palmilha de conforto, da bota ou sapato, formando um escudo físico, que obsta a que os objetos pontiagudos penetrem e causem ferimentos. De acordo com a norma as classes mais comuns são: • S1P – interior seco + anti perfuração; • S3 – muito comum em construção; inclui anti-perfuração e resistência à água; • S5 – botas poliméricas/injetadas, comuns em ambientes agressivos.
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