OPINIÃO 85 urbanas como rurais), e o foco é, ou deverá ser, a prevenção e a redução das fontes de poluição. No contexto europeu atual, marcado por instabilidade económica e energética devido aos constantes conflitos armados, torna ainda mais urgente esta redefinição das estratégias ambientais que influenciam diretamente, e indiretamente, o dia a dia das comunidades. A pressão sobre os custos de energia e a dificuldade em manter o equilíbrio entre necessidades económicas e ambientais tornam evidente que este é o momento para reorientar o setor da construção. A renovação do edificado surge como uma oportunidade crítica: é na reabilitação que se ajustam os edifícios às necessidades atuais, promovendo conforto térmico, eficiência e resiliência, espaços mais saudáveis e sustentáveis. Os edifícios são responsáveis pelo consumo de cerca de 40% de energia, a nível europeu, maioritariamente proveniente de fontes não renováveis. Simultaneamente, muitos não garantem níveis adequados de conforto térmico e salubridade (presença de amianto, humidade e fungos), contribuindo para a chamada “pobreza energética” das habitações, onde vivem pessoas em espaços que as adoecem ao longo da vida. Este problema resulta de décadas de quadros legislativos desadequados, que pouco fomentaram e contribuem para promover a saúde, a eficiência e a qualidade ambiental do edificado e das comunidades. A transição para a neutralidade climática traz, contudo, oportunidades significativas: crescimento económico, novos modelos de negócio, inovação tecnológica e criação de emprego (os denominados empregos verdes). A Europa vive hoje uma vaga de renovação do seu edificado, acompanhada de medidas que reforçam a inclusão social e a transição ecológica. A duplicação das taxas de renovação energética até 2030 é um sinal claro desta prioridade. A substituição de tecnologias de aquecimento e arrefecimento ineficientes, a melhoria da qualidade térmica e a integração de energias renováveis permitem reduzir consumos, emissões e custos. A desamiantagem e remoção de substâncias perigosas, e a minimização do desenvolvimento de fungos e outros contaminantes do ar são agentes fundamentais para promover a mudança e melhoria da saúde nesta vaga de renovação.
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